Novo endereço http://biorrefinaria.blog.br

Mais fácil para memorizar biorrefinaria.blog.br é o novo endereço do blog Biorrefinaria 2.0

Além do novo domínio estamos preparando uma novidade para breve. Acompanhando a evolução da comunicação através da internet vamos iniciar a prática do Vlog, que nada mais é que um post na forma de vídeo, gravado normalmente a distância pela internet com especialistas convidados da área. Uma forma mais interativa e dinâmica de blogar. Esperamos que gostem!

Biorrefinaria 2.0 Blog

 

Anúncios

A evolução das patentes em biorrefinarias e a comunidade Patexia.

A evolução das patentes em biorrefinarias.

A evolução das patentes em biorrefinarias.

A figura acima é o resultado de uma busca pelo termo “Biorefinery” na ferramenta de pesquisa da comunidade Patexia. No total foram identificados 426 patentes concedidas entre 2002 e 2012, a maior parte delas a partir de 2008, evidenciando que a indústria das biorrefinarias está em estágio nascente de desenvolvimento.

patexiaMas o que chamou atenção na comunidade Patexia não foi à disponibilidade da ferramenta, que é relativamente simples, e sim a competição que acontece entre os membros da comunidade para encontrar informações que invalidam novos pedidos de patentes. Essa é a chamada “pesquisa de anterioridade” normalmente realizada por escritórios especializados com o objetivo de provar que o pedido realmente trata de uma inovação. A comunidade Patexia criada em 2010 permite que esse trabalho, ao invés de ser realizado por algumas pessoas dentro de um escritório, seja realizado por pessoas espalhadas pelo mundo seguindo a tendência dos novos modelos de trabalho impulsionados pela web 2.0 (“Crowdsourcing“) e da prática da inovação aberta, através da qual as empresas buscam acessar um batalhão de profissionais para gerar resultados de forma mais rápida, a um menor custo e com melhor qualidade, devido ao número e diversidade de pessoas envolvidas.

Crowdsourcing? Sim. Já é praticado na área de Biorrefinarias.

Em 2006 o termo “crowdsourcing” foi usado pela primeira vez pelo jornalista Jeff Howe para explicar os novos modelos de empresas que estavam desbancando os maiores líderes em seus mercados. Era o fim do “outsourcing”, em muitos casos a China e a Índia com sua mão de obra barata deixou de ser destino para envio de etapas de produção em busca de competitividade, agora o destino é qualquer lugar e os trabalhadores são a “crowd”, assim nasceu o termo “crowdsourcing”.

Em um momento de surgimento de uma nova dinâmica industrial baseada em matérias-primas renováveis [1] muitas empresas já “buscam” resolver seus problemas de P&D postando-os na forma de desafios em plataformas as vezes chamadas redes eletrônicas de P&D ou “Solver Brokerage”.Uma das pioneiras é a plataforma InnoCentive, com mais de 250 mil “solucionadores” cadastrados, dispostos a resolver os problemas de empresas diversas.

Em janeiro, por exemplo, uma empresa (geralmente o nome da empresa é mantido em sigilo) usou a NineSigma, uma outra plataforma pioneira no “crowdsourcing”, para buscar um parceiro para desenvolver o processo de pré-tratamento de biomassa (vejam o RFP – Request for Proposal).

Uma startup brasileira se prepara para lançar a primeira plataforma de inovação aberta temática em Biorrefinarias, totalmente fundamentada nos conceitos de “crowdsourcing”. “O objetivo será conectar profissionais e organizações, atuando como um agente catalisador da inovação” explica Adriana Lúcia a idealizadora da plataforma chamada “Biorrefinaria Brasil”.

Ela conta ainda que a Biorrefinaria Brasil já lançou seu primeiro projeto, o “Global Crowdmapping of Biorefinery Iniciatives”, que conta com a colaboração da multidão para mapear. Qualquer pessoa pode submeter sua iniciativa e um grupo de voluntários faz a curadoria. Vale a pena conhecer!

Muitas empresas já perceberam que podem aumentam infinitamente sua capacidade de inovação utilizando o “crowdsoursing”. Os profissionais também precisam entender e se posicionar dentro desse novo cenário, por vezes chamado trabalho 2.0.

Referências:

ROADMAP TECNOLÓGICO EM MATÉRIAS-PRIMAS RENOVÁVEIS: UMA BASE PARA A CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS NO BRASIL. Paulo Coutinho e José Vitor Bomtempo,  Quim. Nova, Vol. 34, No. 5, 910-916, 2011

Opiniões que merecem destaque quando o assunto é Biorrefinarias.

Em homenagem ao Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) a revista Opiniões, edição abr-jun 2012, teve suas matérias escritas por especialistas e pessoas ligadas ao centro. Nas matérias, que destacaram o novo planejamento estratégico do CTC, voltado para Melhoramento Genético e Etanol Celulósico, podemos observar opiniões que merecem destaque quando o assunto é Biorrefinarias.

A começar pelo Pedro Parente¹ com a matéria “O futuro da tecnologia no sistema sucroenergético”. Para ele a base da biorrefinaria é formada pela busca na redução de custos, aumento da eficiência operacional e desenvolvimento de novos produtos.  “A química verde está chegando e representa oportunidades para redução da dependência do mundo ao petróleo”. Após mencionar as tecnologias e conceitos ele enfatiza que não é ficção e muitas empresas já representam uma aproximação real da Biorrefinaria, e com tantos produtos sendo desenvolvidos e produzidos a partir da cana, em menos de uma década o setor pode vir a ser chamado de “sucroquimicoenergético”.

O Jorge Luis Donzelli² que escreveu a matéria “O panorama geral do melhoramento genético” citou o desenvolvimento da cana transgênica não só com o compromisso de aumentar teor de açúcar, como normalmente se busca, mas também para suportar novos usos, como por exemplo, a produção de energia, etanol de segunda geração e mais na frente a gaseificação, que segundo ele vai transformar a atual usina de açúcar em uma Biorrefinaria.

Oswaldo Godoy Neto³ escreveu a matéria “tecnologias industriais consolidam vantagem agrícola” e em sua opinião para aumentar a produção, através de tecnologias inovadoras, constituindo as Biorrefinarias, serão necessários grandes investimentos na área industrial, como processamento bioquímico e termoquímico, mas também será necessário contar com apoio das áreas de recolhimento e aproveitamento da palha. Com foco no aumento da produtividade industrial ele explica que “teremos que nos empenhar na montagem da biorrefinaria, considerada a usina do futuro”.

A matéria sobre recolhimento e transporte da palha, escrita pelo Marcelo Pierossi4, reforça a aplicação da palha, no longo prazo, como matéria-prima nas Biorrefinarias, e para isso o desenvolvimento será focado em sistemas de maior capacidade e tecnologias inovadoras visando redução dos custos.  

A matéria que levou a palavra Biorrefinaria ao título foi escrita por José Ricardo5 e Jaime Finguerut6 , e nesse caso, para os interessados no tema, vale a pena ler a matéria na integra “Biorrefinaria, solução técnica que reduz problemas sociais e ambientais”.  Segundo os autores a necessidade de introduzir as biorrefinarias, em larga escala no País, é percebida quando à frente do grande desafio de aumentar a eficiência energética da cana, a ponto de ser economicamente atrativa quando comparada com o petróleo como matéria-prima.

Com todas essas opiniões, e outras não destacadas, mas que também estão dentro do cotexto, fica evidente que atualmente não se fala de PD&I no setor sucroenergético sem falar de Biorrrefinarias.

Uma vez que o blog trata de Biorrefinarias na era da Inovação Aberta, para fechar esse post com chave de ouro, não poderia deixar de destacar que, no setor, já se fala em “open-innovation e outras formas novas e criativas para as relações de trabalho” como evidenciado na matéria da Márcia Frasson7.

Parabéns para todos os Autores, na ordem do texto:

1. Pedro Parente – Presidente do Conselho de Administração da ÚNICA e Presidente da Bunge Brasil.

2. Jorge Luis Donzelli – Gerente de Desenvolvimento Estratégico Agrícola do CTC

3. Oswaldo Godoy Neto – Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

4. Marcelo Pierossi – Especialista em Tecnologia Agroindustrial do CTC

5. José Ricardo – Pesquisador do CTC

6. Jaime Finguerut – Gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do CTC

7. Márcia Frasson – Gerente de desenvolvimento Organizacional e Humano do CTC

A colaboração científica em larga escala

Basta o exemplo da Wikipedia para todos entenderem o significado do termo wiki, uma tecnologia para criar sites colaborativos, que serviu de inspiração para Don Tapscott e Anthony D. Williams em 2007 escrever o Best-seller Wikinomics.

Um dos casos citados no livro é o projeto OpenWetWare, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), criado em 2005 para compartilhar experiências, informações e ideias sobre biologia.  Mais de 80 Laboratórios ao redor do mundo (5 Brasileiros) usam o site baseado numa plataforma wiki, hoje com mais de 10 mil usuários e 112 mil páginas, para compartilhar dados e padronizar protocolos de pesquisa entre outras atividades.

Na visão dos autores, a colaboração científica em larga escala, ou seja, a prática do Crowdsourcing, ajudará a lançar uma ofensiva sem precedentes contra problemas como o aquecimento global entre outros, o que nos leva a associar com o desenvolvimento de tecnologias para as Biorrefinarias.

Para os autores esses e outros fatos descritos estão prenunciando a chegada da “Ciência 2.0” e se antes o segredo do sucesso estava no investimento e na detenção do conhecimento, guardado a sete chaves, hoje não faltam exemplos práticos evidenciando que a transparência, a co-criação de conhecimento, e o rompimento de barreiras entre empresas é que estão fazendo a diferença na competição mundial.

Macrowikinomics, o mais novo livro do autor certamente vai render um novo post em breve!

Biorrefinaria 2.0?

Biorrefinaria trata da transformação completa da biomassa, através de processos integrados, em uma diversidade de produtos para a sociedade. Cana-de-açúcar (caldo, bagaço e palha), madeira, oleaginosas e algas são os principais exemplos de biomassas que podem ser utilizadas como matérias-primas renováveis para as Biorrefinarias. A maturidade tecnológica dessa “Big indústria das Biorrefinarias” pode ser considerada um dos maiores desafios em direção à sustentabilidade global.

Por outro lado o termo Web 2.0 foi criado anos atrás para caracterizar uma nova forma de participação do usuário na internet, muito mais colaborativa. A partir de então muitas atividades chaves da economia estão sendo remodeladas. A inovação, por exemplo, é aberta, em rede, é global.

Neste contexto “Biorrefinaria 2.0” trata não só de acompanhar o desenvolvimento das Biorrefinarias mais também evidenciar como a prática da Inovação Aberta, ancorada em tecnologias web 2.0, está contribuindo para alavancar esse desenvolvimento.